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No último final de semana, os brasileiros da Big Gods defenderam com sucesso o título de campeões da Copa América. Eles representarão a América Latina no próximo Campeonato Global de Verão, que será disputado na Suécia entre os dias 18 e 20 de Junho.

Após a partida final contra a Infamous Gaming, tivemos a chance de conversar com o Rodrigo “Vieira” Lopes, que falou sobre o meta atual, mudanças nas partidas ranqueadas, preparação para os campeonatos, e mais. Confira a entrevista completa:

Os treinos da equipe são pensados circundando o meta, ou vocês testam novas combinações para gerar um elemento surpresa?

Vieira: No HotS você não tem muito para onde fugir. Se você não seguir o meta e tentar inovar muito, acaba sendo engolido. O que a gente geralmente faz é estudar os melhores times do mundo, como MVP Black e outros Norte-Americanos, pegando os elementos que achamos melhor e colocamos no nosso jogo. O meta existe para ser seguido, e é o que a gente faz.

O que vocês acharam do Arthas e Anub’arak, depois dos reworks significativos que eles receberam? Acharam que eles tiveram um impacto alto no meta, e como incorporaram esses heróis no jogo de vocês?

Vieira: Os dois estão incríveis. O Arthas depende de algumas coisas mais para poder rodar bem, mas o Anub’arak se encaixa muito bem em muitos cenários. A gente inclusive usou o Anub’arak em uma de nossas partidas contra a Infamous, e ele foi bem incisivo no resultado final da partida. Ele garante muitos stuns, fica praticamente imortal com o W (Endurecer Carapaça) e o novo talento Suprimir Magia no nível 1, deixou ele incrível. É quase impossível matar um Anub’arak, a não ser que ele vacile bastante.

Como o Campeonato Global envolve o meta de todas as regiões, vocês acabam tendo que lidar com heróis menos populares por aqui, como Tyrael, Azmodan, Chen, entre outros. Vocês incorporam eles no draft de vocês, ou só pensam em counter-picks?

Vieira: Lá na Coréia nós sentimos que todos os metas foram encaixados, e de lá saiu um meta único. As melhores equipes jogaram juntas, e ali foi decidido o que era o melhor de fato. O jogo mais ofensivo é o que domina o meta. Desses heróis que você falou, acho que o Chen é um dos que mais tem chance de aparecer, porque ele é muito forte em conjunto com o Illidan, que está forte demais nesse patch. Acho que o Tyrael perdeu um pouco a força, e novos heróis não devem aparecer muito. No máximo, uma Tracer, que espero que os coreanos tragam para os jogos, mas no geral, veremos o mesmo meta coreano do outro Global.

O fator Game House influencia tão significativamente no crescimento da equipe, para justificar essa superioridade em relação a outras equipes da América Latina?

Vieira: Com certeza, não há argumentos contra isso. Dentro de casa você tem mil fatores de distração, fora que você se estimula menos a jogar. Na Game House você está do lado dos seus amigos, você conversa sobre o jogo, você assiste todas as partidas, materiais, VODs, você cria uma intimidade muito maior e fica muito mais disponível para treinos. Então, a Game House é um fator que muda muito a potência de um time, então, graças à Big Gods, tem sido algo incrível.

O Merryday, suporte da MVP Black, disse em um artigo que os suportes em Heroes of the Storm são “escravos de cura”, sendo os heróis de menos impacto numa partida. As exceções, segundo ele, são a Tyrande e o Rehgar, que são os únicos que dependem de habilidade e tem potencial de impacto. Vocês concordam com isso?

Vieira: Eu tenho certeza que ele se referia mais à Solo Queue, porque nela o suporte é realmente muito dependente do tank. O que acho que ele quis dizer foi que os DPS (causadores de dano) são buffados a cada patch que passa, enquanto que os suportes continuam levando nerf atrás de nerf, principalmente depois do que aconteceu com o Rehgar. O Escudo de Raios dele estava incrível, foi nerfado, e desde então ele e outros suportes como Malfurion e Uther vão seguindo o mesmo caminho. Neste ponto, acho que o que ele disse cabe perfeitamente. Sobre a influência do suporte na partida, em que ele diz que eles são “escravos de cura”, eu penso o seguinte: Um time é uma mão. Cada dedo é importante para a mão funcionar direito. Acho que hoje em dia o suporte não é a peça menos importante, muito pelo contrário. Em relação à Tyrande e Rehgar, eles tem impacto porque são heróis que conseguem realmente levar o time adiante sem depender do tank — O Rehgar tem a desaceleração com seu Totem, uma heroica que muda completamente uma luta; a Tyrande tem a marca, que pode ajudar a matar alguém, o atordoamento, a heroica dela também é incrível. Ele também fala sobre a Asaluz, que consegue ficar na lane dando soak de experiência e chegar na hora da teamfight. Mas, realmente, na Solo Queue, o suporte é muito prejudicado.

Existe algum time estrangeiro no qual vocês se espelham?

Vieira: Com certeza a MVP Black. Acho que todo time do mundo — exceto ela mesma — se espelha na MVP Black. Eles são incríveis, o entrosamento deles é incrível, você vê eles fazendo coisas que nenhum time fez antes. Eles tiveram 32 partidas sem perder; A gente na América Latina está há 14, mas o cenário deles é muito mais desenvolvido do que o nosso. Eles ganharam o mundial, então todo time deveria se espelhar neles.

Quando há algum patch com mudanças significativas, vocês mudam o ritmo de treinos?

Vieira: Quando está próximo de um grande patch, nós diminuímos um pouco o ritmo de treinos porque não vale muito a pena continuar treinando coisas que vão mudar. A gente estuda, lê muitos patch notes, e depois que ele sai, treinamos muito com as mudanças. Estudar os patch notes é muito importante, porque você pode descobrir coisas que estão “roubadas” antes do seu oponente. O seu draft, que é a parte mais importante do jogo, vai ser impactado com essas mudanças.

Após dar uma olhada no Medivh, vocês acham que a chegada dele deve mudar muito o meta, impactando significativamente o competitivo?

Vieira: É difícil de falar sobre ele. A Crona eu acho que não vai rolar, porque ela depende de muitos fatores individuais. O Medivh me deixa encucado, porque pode ser tanto incrível quanto uma porcaria. Num draft, todo personagem é um slot; Para pegar o Medivh, eu não sei se vou ter que abrir mão de um off-suporte ou off-assassino. Vai depender de muitas coisas, e ele é uma surpresa que quero muito descobrir.

Vocês acham que as mudanças nas partidas ranqueadas devem aumentar o nível de habilidade dos jogadores, e consequentemente, o nível do cenário competitivo?

Vieira: Com certeza. A competitividade da Solo Queue é o que faz o cenário competitivo do jogo. No League of Legends temos o Challenger, e por isso ele tem um cenário competitivo mais desenvolvido. A Solo Queue melhora o seu treinamento. Por exemplo, eu não jogo a Solo Queue porque acho ela ridiculamente ruim, então eu quase não aprendo nada. Eu brinco que para suporte é mais difícil, mas é melhor o treino, porque o pessoal fica sempre se matando. Se você salva um cara que se mata, acaba tendo um impacto bem maior no jogo. Sobre a questão de Ranqueamento, ela já muda bastante a mentalidade do pessoal; Só de ver o seu Ranque, por exemplo “Hoje estava 235, ganhei e fui para 215”, já dá um estímulo muito maior para a pessoa jogar a Solo Queue.

Por fim, quais dicas vocês dão pra quem quiser iniciar no competitivo, principalmente depois dessas mudanças nas ranqueadas?

Vieira: Eu tenho certeza que depois dessas mudanças vão surgir novos talentos. O cenário no Brasil estagnou, você só vê os mesmos jogadores mudando de time. Com essa renovação, o competitivo vai ficar melhor, e a dica que eu tenho é: Dedique-se, junte-se à pessoas que se dedicam, que querem aprender sobre o jogo, e dê o máximo pra poder ganhar do meu time (risos). Vai ser um problema complicado.


Nossos agradecimentos a todos da Big Gods, e muito sucesso em sua jornada no Campeonato Global de Verão!

/kiss, vejo vocês no Nexus!

 

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