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Se existe uma empresa preocupada com a representação feminina nos seus jogos, essa empresa é a Blizzard. É tão curiosa essa preocupação, que mesmo personagens “criadas” para serem um pouco mais safadchênhas não seguem a linha de objetificação feminina que nós vemos em jogos como Tera Online ou Blade and Soul.

Blade and Soul

Blade and Soul

Tera Online

Tera Online

Enquanto isso, no Heroes:

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E por que eu estou falando disso num site sobre Heroes of the Storm? Por causa da Tracer.

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A Tracer é uma personagem do Overwatch (clique aqui para conhecer o jogo), o novo FPS da Blizzard que ainda está em fase beta de desenvolvimento. Ela vai chegar no Heroes por volta do mês de abril e eu já sou main Tracer desde pequenininha, pois além da sua jogabilidade incrível, bem parecida com o Weaver do Dota 2 (o jogo de onde eu vim), ela tem uma personalidade fofa, inocente e bastante brincalhona.

Em qualquer vídeo de apresentação do jogo vocês podem observar como ela pode ser tudo, menos uma personagem que se expressa sexualmente. Aliás, ela é o extremo oposto disso, sua personalidade beira o infantil.

Fiquei tão interessada na personagem que, mesmo odiando FPS, comprei a versão deluxe só pra ter a Tracer no Heroes primeiro que todo mundo. Por motivos de: Eu sou competitiva, e muito rica!

Acontece que uma polêmica enorme rolou acerca da seguinte pose de vitória da personagem:

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“Over the shoulder” é uma pose de vitória na qual vários personagens olham por cima do ombro, de costas para o jogador.

Outros personagens possuem a mesma pose, olha:

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Porém, o design da Tracer com sua skin básica de roupa atlética, quando mostrado nessa posição, não agradou muito aos fãs da franquia.

Os argumentos variaram desde de “A posição do traseiro dela está alta demais, como se estivesse se oferecendo”, até “por que essa roupa está embalada a vácuo no corpo? É como se ela estivesse nua, pintada de amarelo.”.

Um dos argumentos de defesa era que aquele tipo de roupa enfatizava mesmo o contorno do bumbum, e isso não teria como ser evitado, era a roupa dela que deixava as coisas assim. E faz sentido.

Porém, quando olhamos para um outro personagem, masculino, que também usa roupas justas, nós não vemos a pose de vitória “Over the Shoulder” disponível.

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O design dele deixa bem claro que se ele fosse colocado de costas, seu bumbum ficaria bem marcado, mas essa pose simplesmente não foi criada. Quase todos os heróis humanoides têm essa posição, mas ele, o único com uma roupa parecida com a da Tracer não tem, não existe.

Homens também têm nádegas, sabiam?!

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Em contrapartida, todas as personagens femininas que usam roupas desse tipo têm ao menos uma posição de costas, com o traseiro em primeiro plano.

Por que será? Vou deixar essa pergunta no ar.

Desde os primórdios da criação de videogames nós observamos que mulheres são colocadas em praticamente duas categorias: A inocente e indefesa moça que é salva por um herói, ou a gostosona que mata todo mundo dentro de uma roupa bem justa e provocativa.

Desde que o primeiro pixel foi colorido, resolveram sexualizar a representação da mulher, mas isso não vem ao caso, se quiserem saber mais aconselho verem o vídeo abaixo, que é bastante explicativo:

Acontece que eu faço parte de vários grupos de jogos, e em praticamente todos eles um post foi criado pela comunidade a fim de discutir o assunto. Como essas comunidades possuem uma quantidade de homens bem maior que a de mulheres, a maioria das respostas eram masculinas, algumas interessantes, porém outras totalmente despreocupadas e dessensibilizadas com a representação da mulher nos jogos.

Poucas mulheres ousaram discordar dos homens, pois as que assim fizeram, foram rechaçadas com inúmeros memes de “louça para lavar” e discurso de ódio ao feminismo, mesmo sem que ninguém sequer tenha citado o feminismo nas suas respostas.

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É o seguinte: Você, homem, pode discordar, você pode reclamar, você pode achar “mimimi” ou o que bem entender, ninguém te impede de pensar nada. Porém, quando o assunto é objetificação feminina, as opiniões das mulheres devem ser levadas em conta, mesmo quando elas te contrariam.

Por um motivo muito simples: A representação das mulheres nos jogos não diz respeito a você, porque essa representação não representa você. Não é um tipo de assédio que te perpassa no seu dia a dia, não é uma realidade que você vive, então não é você quem determina se a mulher está certa ou errada sobre o assunto.

E é por isso que as feministas não se metem quando o assunto é super-sexualização de personagens masculinos, não é nosso local de fala. É preciso respeitar quem tem propriedade para falar de algo que te afeta diretamente.

Isso quer dizer que todos os jogos do mundo devem vestir suas personagens com burca? Claro que não! Personagens femininas podem ser representadas com um sex appeal a mais, como a Widowmaker já está aí pra nos servir esse tipo de personalidade. E elas são lindas! 

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Nós também adoramos a ideia de uma assassina bem sensual que mata os inimigos com tiros certeiros. Apenas não é algo que se espera da personalidade da Tracer em si. E é nesse tipo de representação fora da proposta de uma personagem que mora a objetificação feminina gratuita, vista em tantos jogos.

E a Blizzard concorda, vide sua resposta à polêmica:

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“Vamos substituir a pose. Queremos que *todo mundo* se sinta forte e heróico na nossa comunidade. A última coisa que queremos fazer é deixar alguém desconfortável, desvalorizado ou mal-interpretado.

Nossas desculpas e vamos continuar a fazer nosso melhor.”

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“Nossa, isso cresceu bem rápido.

Enquanto eu lia meu comentário anterior, eu percebi que eu deveria ter sido mais claro. Como o diretor do jogo. Sou eu quem determina o que vai entrar ou não no Overwatch. Nessa decisão em particular, foi algo fácil de decidir não só pra mim, mas pelo time de direção de arte também. A gente já tinha uma segunda opção de pose que amamos e sentimos que representa melhor a personalidade da Tracer. Nós não estávamos 100% felizes com a pose original, e foi uma sobre a qual debatemos bastante. Essa posição de vitória foi trazida para discussão devido a muitos feedbacks da nossa comunidade de jogadores, de fato. Nós tomamos a decisão de escolher outra pose não só pelas questões apresentadas aqui, com as quais concordamos, mas também porque queríamos criar algo melhor. 

Não faríamos nada para sacrificar nossa visão criativa do Overwatch, e não vamos remover algo só porque alguém tem um problema com isso. Nossa meta não é cair na mesmice e homogeneizar o mundo, ou a diversidade dos nossos heróis do Overwatch. Nós colocamos muito do nosso sangue e do nosso coração nessa produção e seria uma auto-sabotagem fazer isso.

Nós entendemos que nem todo mundo vai concordar com nossa decisão, e está tudo bem. Pra isso que servem os testes pré-lançamento. Isso também não é uma tentativa de agradar um grupo em detrimento de outro. Essa foi a decisão correta para nossa perspectiva, e achamos que o jogo vai continuar sendo tão divertido quanto antes.

Mas se não for, estejam livres para compartilhar conosco as suas preocupações, pensamentos, e respostas sobre isso e outros assuntos que vocês possivelmente tenham em relação ao jogo, apenas mantenham a discussão respeitosa.

Obrigado”

Então, que tal fazer como a Blizzard e começar a ouvir um pouco mais o que as mulheres têm a dizer sobre os jogos, sem ofendê-las ou silenciá-las? Não dói ouvir opiniões contrárias de vez em quando, experimentem, é muito edificante!

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Eu não esqueci do post da Li-Ming, tá, gente? Adiei porque quero jogar com ela depois do patch enorme que chega hoje, pra ver se alguma coisa afetou a jogabilidade dela.

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